A cada dia, mulheres de diferentes idades e posições sociais são bombardeadas com informações sobre o universo da beleza. Como perder peso, como manter os cabelos sempre macios, como ser uma mãe e profissional exemplar são apenas alguns dos tópicos que dão vida às milhares de revistas, sites e programas voltados à mulher.
No entanto, em meio à exigência imposta pela sociedade de serem quase perfeitas, ainda existem mulheres que não dão ouvidos à mídia e seguem felizes do jeitinho que são.
É o caso da gerente financeira Thaís Cavalcante, 27. Thaís garante que mesmo estando acima de seu peso ideal – ela diz estar pesando dez quilos além do que gostaria -, não se desespera para emagrecer. “Não sou paranóica em perder peso, mas gostaria de estar sem a ‘barriguinha’”, revela. A jundiaiense sabe que é importante cuidar da própria saúde, mas não apóia a ditadura imposta às mulheres. “Tenho consciência de que ficaria melhor comigo mesma com o corpo ‘definido’. Mas para mim, ser feliz é me aceitar da maneira como sou”, diz. Thaís acredita que muitas mulheres perdem a linha quando transformam a alimentação em um sacrifício. “Elas fazem regimes absurdos ao invés de buscar ajuda com pessoas capacitadas como nutricionistas”, alerta.
A engenheira civil Letícia Navarro Garcia, 27, também não se encaixa nos moldes impostos pela mídia. Letícia considera-se baixinha, diz ter seios pequenos e canelas grossas. “Sou totalmente diferente das ‘Brazil’s Next Top Model’”, conta, fazendo referência ao programa exibido pelo canal Sony e que mostra uma competição entre aspirantes a modelos. “Mas tenho a minha beleza, assim como cada uma de nós”, completa. Letícia revela que tem vontade de colocar silicone nos seios, mas só depois de ter filhos. “Acredito que com um armário com opções legais, resolveríamos muitos dos problemas que nossas mentes criam”, diz a engenheira. E dá uma dica para quem quer se sentir bonita, “tem que ter alto astral e com isso poder contagiar todos ao seu redor. É sair na rua do jeito que você é e levar cantada de dono de restaurante, lixeiro, dos engravatados que passam, dos ‘flanelinhas’, enfim, isso é ser verdadeiramente bonita”. E completa, “não precisa estar na mídia para ter cinco minutos de fama”.
Quem também se encaixa neste quesito é a universitária Bruna Duran, 25. Bruna também diz fugir dos padrões de beleza. Além dos cabelos encaracolados, ela diz que o quadril largo não ajuda na hora de comprar uma calça. “Acho que eles não fabricam calças pensando na mulher brasileira”, reclama. Apesar destes fatos, Bruna, que é mãe de uma menina de cinco anos, diz se gostar do jeito que é. “Acredito muito na beleza individual de cada um”, revela. A estudante de psicologia acredita que deva existir um equilíbrio entre se cuidar e se gostar. “É gostoso se cuidar e se amar, mas existe um limite para tudo isso”, conta. “Já briguei com meus cabelos e já quis dar um fim nos meus quadris, mas aprendi a respeitar o meu biotipo”, revela.
Com a intenção de levar às suas leitoras uma dose maior da realidade, duas revistas femininas aboliram de suas páginas as modelos magérrimas. A revista feminina alemã Brigitte decidiu não trabalhar mais com as usuais modelos consideradas esqueléticas e utilizar mulheres mais reais. A revista disse que a decisão é um “protesto contra a obsessão da sociedade com a magreza”. A revista Glamour também causou polêmica ao colocar na sua edição do mês de setembro, fotos de mulheres reais, com direito a saliências e tudo mais.
Tomara que a moda pegue.





